Confira a matéria que saiu na Globo no programa Ação.
Formando Campeões.
Estamos na Vila Baseví, uma comunidade rural de Sobradinho, nos arredores de Brasília. O karatê faz parte do projeto Formando Campeões, que atende mais de 600 alunos, em três núcleos no Distrito Federal. O primeiro grupo foi criado há três anos, mas o que vamos mostrar está só começando.
“Esses movimentos, justamente são as bases, a postura, justamente pra eles aprenderem a lutar, pra eles terem noção do que vai fazer”, diz Fábio Nunes, professor de karatê.
As aulas são gratuitas e realizadas na associação de moradores da vila.
“Essa é uma comunidade rural, então a maior parte dos alunos que nós atendemos são filhos dos caseiros da região, das empregadas domésticas, são pessoas que têm um contato muito direto com a terra, e são pessoas geralmente de baixa renda”, diz Lorena Braga Antunes, assistente social do projeto.
O projeto é uma idéia de uma vencedora, que já trouxe títulos inéditos para o país.
Carla Ribeiro trabalhou como modelo, mas ficou mais conhecida por ser a única brasileira tetracampeã mundial em karatê e campeã mundial em kickboxing.
“Da primeira vez que eu vi a Carla lutando, eu achei interessante e achei que eu podia ser uma campeã como ela”, diz Gabriela Lopes, 11 anos.
Veronice conquistou a faixa vermelha.
“Eu já estou há dois anos no projeto, já participei de uns dez campeonatos mais ou menos, vários, já conquistei várias medalhas também”, diz Veronice Cardoso, 12 anos.
“Tem muita gente que acha que artes marciais é dar um soco em alguém, mas não. É ter disciplina e ensinar tudo de bom pra eles”, diz Pedro Aurélio Espíndola, 13 anos.
A disciplina também é trabalhada no artesanato e na informática.
“Todos os meninos que participam das atividades esportivas, participam também das outras atividades, porque existe um objetivo no projeto, que é formar campeões na vida”, diz Lorena Braga Antunes, assistente social do projeto.
O complemento escolar é levado à sério no projeto.
“Tem os alunos que chegam, alunos de quarta, quinta série, que muitas vezes têm dificuldade na leitura. Por isso, nós estamos trabalhando muito a leitura, escrita, concordância”, diz Fabiane Amorim, professora de complemento escolar.
Sessenta e oito por cento dos alunos melhoraram as notas.
“Antes era quatro, três, agora aumentaram pra cinco, seis, sete. Minha mãe agora me elogia, de vez em quando”, diz Francyel de Souza, 12 anos.
O trabalho do projeto, em parceria com as escolas, ajudou a resolver o problema da evasão.
“Aquela agitação de indisciplina, ela tende agora a ser uma coisa mais controlada, mais direcionada, então, são atividades que têm levado para esse lado bom, esse lado do bem”, diz Maria da Glória Pinheiro, diretora da escola.